CLUBE DE LEITURA DO COMUM – A SOLIDÃO DO MANAGER, MANUEL MONTALBÁN

 


Quem deseje conhecer a fundo Manuel Vásquez Montalbán, não poderá deixar de travar conhecimento com uma das personagens por ele criadas, e que se veio a tornar o detetive mais famoso das letras espanholas: quando desce as ruas de Barcelona, Pepe Carvalho transporta consigo o seu criador; mas o inverso também é verdadeiro: quando sabemos mais sobre a biografia de Montalbán, compreendemos melhor Carvalho. 

Apesar de nascidos em regiões diferentes de Espanha (o primeiro é catalão, o segundo é de origem galega, mas com vida em Barcelona) Montalbán e Carvalho têm em comum não apenas o cenário, mas o ativismo contra o regime de Franco, a prisão e a tortura daí resultantes, a ligação ao partido comunista, o amor à gastronomia (e a repugnância pela “comida saudável” ou “light”), o humor mordaz, a subtileza e a atenção ao detalhe. 

Montalbán nasceu num dos bairros mais pobres de Barcelona, em 1939. Filho de um operário comunista e de uma costureira, estudou jornalismo e, mais tarde, Filosofia e Literatura na Universidade de Barcelona. Iniciou a vida profissional como vendedor de seguros funerários e, curiosamente, foi escrevendo um obituário que começou a dar nas vistas como jornalista (ficou famoso o texto que escreveu aquando da morte de Hemingway, aproveitando a ocasião fúnebre para tecer subtis críticas ao regime franquista). Participou em manifestações, foi preso, torturado, libertado, impedido de exercer jornalismo. Tornou-se pesquisador para a enciclopédia Larousse. Em 1967, publicou o seu primeiro livro de poesia “Una educación sentimental”, mas foi em 1972, quando apresentou pela primeira vez Pepe Carvalho aos leitores, que surgiu a consagração. 

Ao contrário de outros livros da série já há muito traduzidos para português, “A solidão do manager” só recentemente foi publicado em Portugal. Situado no período entre a morte de Franco e a estabilização da democracia, tem no centro as poderosas famílias catalãs, envolvidas no misterioso assassinato de um “manager”, encontrado morto com umas cuecas femininas no bolso. Ajuste de contas sexual, questão de heranças, jogo político? 

Pepe Carvalho vai fazer tudo para o descobrir.


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